O Gajo do Sapo apresenta... os Álbuns do Ano 2021
Wolf Alice – Blue Weekend
É o amadurecimento crescente da banda londrina. Uma autêntica epopeia que deve ser escutada do início ao fim, interpretada como uma história (que até pode ser visualizada em vídeo dado existir uma curta/vídeos para cada faixa). Não só passa pelas sonoridades mais melodramáticas como mais pesadas, e até mais experimentais dos Wolf Alice até à data. É una autêntica viagem emocional e que cimenta a banda como uma das maiores e mais promissoras da atualidade.
London Grammar – Californian Soil
O dream pop dos London Grammar aliado com a temática da independência, o assumir o controlo da sua própria vida e o feminismo trazem neste disco um peso adicional ao som característico da banda, que resulta em autênticos hinos e refrões que entoam na cabeça. É sem dúvida um disco sem medo de correr riscos e bastante polido, hipnotizante e com dos melhores trabalhos vocais da vocalista Hannah Reid.
CHVRCHES – Screen Violence
Um álbum "escapista" e "pessoal", gravado em plena pandemia com troca de ideias por video calls, e que acaba por transparecer a violência e sentimentos de solidão, medo e desilusão, tudo entre sintetizadores, liricamente potente, e até uma presença de um Robert Smith. Mesmo no meio de todo o turbilhão de sentimentos que o álbum despoleta, acaba por haver um sentimento de esperança que acaba por também se refletir na potência instrumental.
Roosevelt – Polydans
A premissa ditada por Maurius Lauber é de que a sonoridade não só deve capturar o espírito dos sintetizadores dos anos 80, como também deve ser capaz de ser tocado por uma banda ao vivo. O resultado acaba por ser uma festa electrónica e com um brilhantismo em termos de produção que não deixará ninguém a não querer dar um passo de dança, e a ir buscar um bocado da nostalgia da musica dançável da época em que se inspira.
The War On Drugs – I Don't Live Here Anymore
E por falar em nostágia, se há banda que me desperta esse efeito é esta. É quase como inexplicável e instantâneo como me lembra sempre as viagens para a terra dos meus avós há uns bons anos, ou aquelas viagens pelas estradas nacionais. A sonoridade americana (de género) tem destas coisas. E é um disco que pesa na emoção, no sentimento deambulante e relacional. Entre riffs e refrões potentes, também há espaço para alguma cozyness. E é quase sempre inigualável a forma como Adam Granduciel o consegue alcançar.
The Vaccines – Back In Love City
Energéticos como sempre, mas desta vez com um twist. Os The Vaccines conseguiram com este disco ir buscar o seu som inconfundível e dar-lhe uma tonalidade entre o pop, rock e spaghetti western. Talvez liricamente não seja comparável aos seus primeiros discos, mas a experiência quiçá mais simplista liricamente (mas sempre com word play), mas experimental instrumentalmente transpõe neste resultado final que só se podem orgulhar, pois é efetivamente um disco que fica na cabeça.
IDLES – CRAWLER
Esta é a resposta ao seu próprio caos, alavancado com todo um espectro dentro daquilo que os IDLES se sentem confortáveis. A banda sempre foi muito direta ao assunto no que toca a refletir a sua mensagem, e essa postura in your face, desde o caos à calmaria, à própria temática pessoal das faixas e mesmo ir buscar uma clara influência a Nick Cave & The Bad Seeds, sabe-se que isto é IDLES, e bolas que com toda a emoção é bem passada clara essa mensagem.
Amyl and The Sniffers – Comfort To Me
E o caos continua. E que bonito caos. Tudo soa maior, grandioso, caótico, belíssimo. Mesmo nas coisas simples. E é nisso que este quarteto australiano faz cada vez melhor. É sem dúvida o seu trabalho mais polído. E nada melhor do que transmitir a mensagem de ter conforto em se ser como é, e com confiança. E punk. Muito punk. Mais por favor.
Raphael and the Thorns – Rituals
Uma valente estreia. Não só detalhada a título pessoal como na emoção que, faixa após faixa, é transmitida. A potência lírica que deixa à imaginação toda a teatralidade com cordas, sintetizadores, harmonias e riffs a puxar do gloom e doom metal. Entra para a coleção de histórias que fazem ainda mais sentido quando escutados do início ao fim. E que melhor transformar todo o caos numa beleza de disco.
Hayley Williams – FLOWERS for VASES / descansos
Às vezes é na simplicidade onde está a beleza da coisa. E num processo de healing e a trabalhar em isolamento, foi aqui onde a Hayley Williams foi buscar a sua inspiração, o que acabou por por em prática o que tinha vindo de trabalhos de vários anos, resultando nesta beleza de disco, com inspirações no folk e sonoridades mais subtis, que encaixam que nem uma luva.
Viagra Boys – Welfare Jazz
E voltemos ao caos. E é bem notório considerando a temática, que é em perceber quando uma pessoa é otária. Não so assumir isso como interiorizar as más escolhas e aceitar o que foi feito. E seguir em frente. E os Viagra Boys conseguem passar a mensagem de forma bem clara, que consegue juntar riffs de guitarra e de saxofone, se é que isso faz sentido (faz pois!), e a rouquidão da voz do Sebastian Murphy.
Parcels – Day/Night
Este disco duplo é literalmente dia e noite. Acho que contexto mais simples que esse é dificil de alcançar, não fossem os Parcels a banda indicada para isso. A sua sonoridade funky simples, catchy, animadora, é algo que conseguem passar com uma simplicidade contagiante. Existe coesão entre as faixas, tudo se encaixa, e vai passando por fases, tal como um dia, e é nessa beleza que a banda consegue atingir com bastante sucesso, e o resultado está à vista.
Imagine Dragons – Mercury - Act 1
Assumido como uma primeira parte de um duplo trabalho, este acto mais negro é bem notório, mesmo nas faixas mais upbeat em termos instrumentais. Os Imagine Dragons conseguem assim ultrapassar o que achei como um "bloqueio" do último disco, deixar a coisa marinar, e posteriormente colocar em prática. E de que maneira, pois a história contada passa efetivamente de algo mais negro para algo com uma maior esperança (que deverá ligar com o trabalho seguinte). A pujança de que são conhecidos está aqui de volta, e será sempre bem vinda!
Cassete Pirata – A Semente
Este segundo longa duração da banda portuguesa acaba por ser, de certa forma, uma voz conselheira, que acaba por buscar a descoberta da paternidade por parte de Pir. Os refrões são catchy, o pop rock português, mesmo numa vertente mais contida, acaba por soar coeso e com pujança. E é nesse registo que a banda regista os seus pontos mais fortes, ao ponto de puxar o ouvinte para dentro da sua sonoridade.
Django Django – Glowing in the Dark
Bem construído e buscar algo mais divertido e esperançoso, aliado com o som psicadélico da banda inglesa, acaba por ser um dos seus trabalhos mais coesos e ao mesmo tempo experimentais (não é à toa que, de repente, há português e sonoridade inspirada no funk/bossa nova brasileira na Got Me Worried). E é catchy, muito catchy, e muito bem feito.
Black Honey – Written & Directed
O toque cinematográfico do segundo disco dos Black Honey não é à toa. Nem a sua sonoridade que parece saída de um filme do Tarantino. Uma abordagem em grande que puxa pela banda, que já vinha a mostrar a sua potencialidade desde o lançamento do seu primeiro EP. E aqui está a concretização. Seja em desafiar em olharmos para nós próprios, a própria descoberta de identidade e pertença, tudo encapsulado numa viagem de 10 faixas.
LEFTY - ANDRÓMEDA
Provavelmente a banda portuguesa revelação do ano, e com um valente disco. Isto é o pop rock português num dos seus estados mais puros. É agitação e consagração. É simplicidade e potência. E é de louvar o projeto do quarteto liderado por Leonor Andrade. Com lírica que consegue ser atual e sonoridade que consegue ir buscar inspirações aos finais dos 80s e inícios dos 90s, é sem dúvida um projeto a ter debaixo de olho.
Balthazar – Sand
O perfeito balanceamento entre o rock e o dance. Uma sonoridade que seria um mix entre Jungle e Arctic Monkeys (muito graças à vocalidade das faixas que lembra o Alex Turner), a banda belga consegue marcar o seu ritmo e não deixar o ouvinte indiferente e sem bater o pé. Algo também concretizado ao vivo, com ainda mais pujança e que faz jus ao hype que os Balthazar têm ganho nos últimos anos.
Iceage – Seek Shelter
E voltemos ao caos. Outra vez. Mas bolas e que caos. Que presença. São os coros, são os riffs, é a voz, é todo o conjunto post punk que funciona de uma forma brilhante numa verdadeira montanha russa de influências que até vai ao ponto de coros gospel. É o ponto a que chegamos. E num álbum gravado em Lisboa, que teve direito a concerto na mesma cidade este ano, que só enalteceu ainda mais a grandiosidade da banda e do disco. Bendito seja o caos.
black midi – Cavalcade
E MAIS CAOS. EM CAPS. E É BELO. Não fossem os black midi e o seu segundo longa duração. O mix de géneros vai balanceando entre o rock progressivo, experimental, fusion jazz e tudo mais. E só os enaltece para sonoridades larger than life. Nota-se no entanto mais coesão, em prol da estrutura de improviso que caracterizou o Schlagenheim, mas que acaba por ser a evolução natural por querer algo diferente do que já foi feito e com mais brio. E foi devidamente alcançado.
Arlo Parks – Collapsed In Sunbeans
O longa duração de estreia da artista britânica demonstra bem a sua versatilidade como não tem problemas em expor a sua vulnerabilidade. O salto entre o R&B e o indie pop é bem notório, liricamente influenciado pela adolescência da artista, bem como o sentimento de nostalgia. Não é à toa que foi o vencedor do Mercury Prize deste ano, e com forte concorrência. E foi merecido.
Squid – Bright Green Field
Mais post punk(-ish). Mais caos. E mais uma bela estreia. A banda britânica consegue criar um belo mix de sonoridades dentro do seu espectro, que vai desde o mais calmo ao mais caótico. O que se traduz numa bela viagem de quase 55 minutos, com faixas maioritariamente longas mas que se tornam autenticas viagens.
SAL – Passo Forte
Uma bela estreia deste novo projeto português que nasce do fim dos Diabo na Cruz, mas fica aquilo que realmente importa. É a sonoridade frenética, mas bem balanceada. É fazer aquilo que sabem, mas com espaço para arriscar um bocado. As influências acabam por ser diversas (até com alguma componente electrónica), mas o pedaço popular acabou por também seguir com a banda, que acaba por ser um bocado a marca da mesma e aquilo em que são melhores.
St. Vincent – Daddy's Home
A categorização do novo disco da St. Vincent é algo tricky, mas que funciona da melhor forma como um trabalho coeso, não fosse já de esperar de algo assim de Annie Clark. O mix entre o psicadélico, lounge e retro assenta que nem uma luva, que soa melhor a cada audição. É um glamour que passa dos anos 70 para a atualidade, inspirado em mães e filhas, a saída do próprio pai da prisão, e um álbum bastante pessoal.
Courtney Barnett – Things Take Time, Take Time
Um disco talvez mais suave para o que a artista australiana nos tem habituado, mas que não fica para trás naquilo que consegue alcançar. Denota-se algo mais pessoal e de auto-descoberta, o que permite um maior foco na mensagem que quer transmitir. Até mesmo pela questão mais pessoal da coisa.
Alfie Templeman – Forever Isn't Long Enough
Tem sido um dos artistas britânicos a ter debaixo de olho, e não tem desapontado. A balançar entre o indie pop e R&B, o primeiro disco está repleto de faixas catchy e funky que acabam por deixar uma pessoa a bater o pé, pois o forte são os arranjos instrumentais alcançados que transmitem um sentimento de felicidade na sua escuta.
Foo Fighters – Medicine At Midnight
Talvez o trabalho mais arrojado da banda de Dave Grohl e companhia. Tem o seu quê de funk, o seu quê de rock que os Foo Fighters já nos habituaram, mas sem medo de experimentar algo novo. O objetivo era tornar algo mais dançável, mais up-beat, e sem dúvida que tal foi alcançado, sem desvirtuar o que é a banda, o que por si é de louvar.
Sensible Soccers – Manoel
Fruto do desejo de querer criar a banda sonora para o "Douro, Faina Fluvial", nasce este disco dos Sensible Soccers, que funciona bastante bem de forma autónoma ao filme de Manoel de Oliveira. A viagem sonora que a banda nortenha já nos habituou está presente, que voa desde o jazz ao techno, muito pelo experimentalismo e suavidade que os caracteriza.
The Killers – Pressure Machine
Acho que a melhor descrição para este álbum dos The Killers será como se fosse um bebé entre a banda da era de "Sam's Town" com os The War on Drugs (que já viria do precedente Imploding the Mirage). O álbum nasceu do início da pandemia e acaba por retratar o sentimento de Brandon Flowers perante os sentimentos que tinha na altura. E, embora contida, acaba por funcionar de uma boa forma.
Julien Baker – Little Oblivions
A crueza e potência de Julien Baker é bem expressiva. Na sua potente abordagem ao folk alternativo, que passa por vários espectros deste género, puxando mais pelo tom minimalista que a caracteriza e elevando para outro patamar pela sua veia multi-instrumentalista a que levou praticamente em todo o álbum, o que é de louvar.
Lucy Dacus – Home Video
O tom pessoal e de experiência que a artista sempre demonstrou nas suas músicas está bem presente, e até de forma mais intrínseca. Acaba por revisitar o seus anos de pré-adolescência, e mesmo na forma de se expor, sempre suave e que acaba por dar a sensação de relação com a artista.
Big Red Machine – How Long Do You Think It's Gonna Last
Neste segundo longa duração do projeto de Aaron Dessner e Justin Vermon, o foco está mais nas emoções humanas, alargando assim a direção da banda desde a sua estreia. Com convidados de luxo, desde Fleet Foxes, a Taylor Swift, a Sharon Van Etten, o objetivo é concretizado quando o mesmo pretende ter uma perspetiva mais esperançosa e sonhadora, e com um bonito tributo a Scott Hutchison dos Frightened Rabbit. O resultado final é este bonito disco.
Still Corners – The Last Exit
Um álbum inspirado no deserto. Considerando que foi feito pré-pandemia e durante a pandemia, acaba por ter um outro significado na sua concepção, no seu quê de dream-pop com inspiração pandémica. A voz ternurenta que caracteriza a banda e a guitarra suave e sonoridade americana acabam por catapultar o mood de dream pop para a mente de uma pessoa com o sentido de encontrar algo para além do deserto, porque o mesmo acaba sempre por existir.
Baio – Dead Hand Control
Entre o indie e o synth pop, o baixista dos Vampire Weekend traz aqui um soberbo terceiro disco, com um grande foco na transição das faixas o que torna a sua escuta como um todo um must. O ritmo dançável e o ecletismo que o artista pretende trazer, bem como a própria vocalização que torna tudo mais smooth.
Bruno Pernadas – Private Reasons
Quem conhece o Bruno Pernadas sabe que os seus discos são sempre autênticas viagens sonoras. Muito com o fusion jazz como pano de fundo, a perspetiva agora é fazer o ouvinte viajar pelas suas influências. Tudo poderia muito bem servir de banda sonora para um filme (e o mesmo foi responsável pela banda sonora de Glória na Netflix), portanto é fechar os olhos, escutar e deixar levar.
Black Country, New Road – For the first time
40 minutos. 6 faixas. Uma enorme experimentação. O álbum de estreia da banda britânica é uma valente viagem sonora que vai desde o post punk, ao jazz, passa pelo rock experimental e dá-lhe uma pitada própria bem condimentada. Pode-se arriscar e dizer que é o que "se f*** o género músical a gente faz o que quer". E que bem.
Deap Vally – Marriage
O verdadeiro regresso das Deap Vally neste seu terceiro disco. E bolas como é puncky. Riffs, baterias, sonoridade catchy e rock puro e duro, mesmo com algum jogo de sintetizadores. O que no entanto é um dos seus álbuns mais experimentais no que toca à sua concepção. O duo encara a banda como um casamento, e sem dúvida que o põe à prova com o melhor trabalho feito até à data.
Salvador Sobral – bpm
O novo disco do Salvador Sobral acaba por ser, de sua forma, um workshop de composição (a meias com Leo Aldrey). É muita ideia e experimentalismo que transcende línguas que se reúne neste longa duração, seja do mais classico, ao mais jazzy, e ao mais português. As inspirações do artista estão bem presentes, como o seu reflexo pela vida, o que se traduz em batimentos e o que nos faz viver.
Bleachers – Take the Sadness Out of Saturday Night
O projeto de Jack Antonoff aplica, e bem, o fantástico trabalho que faz enquanto produtor. A sua composição transcende género (embora tendencialmente mais para o folk e pop), e com uma tirada para os anos 80 e um trabalho bastante coeso.
Marissa Nadler – The Path of The Clouds
Assustador e belo. A fonte de inspiração é o true crime proveniente dos Unsolved Mysteries. Entre as parceiras está a Emma Ruth Rundle. A voz e lírica suave juntamente com instrumentais com solos e tonalidades mais sombrias, mas cativantes, faz com que seja possível a viagem entre o real e o imaginario dentro de tudo o que é assustador e misterioso. Realmente, aqui faz sentido a descrição de shoegaze country.
The Blue Stones – Hidden Gems
Com inspirações no blues tendencialmente mais contemporâneo, o segundo disco dos The Blue Stones leva as guitarras e as líricas mais pessoais perante uma viagem de 10 faixas. De certa forma também lembra um lado mais pop rock do blues dos The Black Keys. Acaba por ser uma sonoridade bastante simplista e com vocais contagiantes. E existe cowbell logo só tem a ganhar mais pontos.
Pond – 9
É o nono álbum dos Pond, mais fácil de explicar o titulo seria de certa forma impossível. E acaba por seguir um caminho mais polido do psych pop, mais aceleradas e que acaba por levar numa viagem de ideias lançadas ao mesmo. Nota-se quão a banda se puxou para trazer algo mais para este longa duração.
BADBADNOTGOOD – Talk Memory
O mix de hip hop com fusion e funk jazz sempre foi algo característico da banda canadiana, e o desafio para o seu quinto disco acaba por ser um conjunto de sessões de improviso que tornam as faixas distintas e dá assim um significado ao seu título. Puxar da memória e conversar por música instrumentalizada acaba por ser o seu foco e bem transparecido no seu psicadelismo.
Kings of Convenience – Peace Or Love
Eis que 12 anos depois anos depois, o duo de indie folk norueguês regressa com um bonito disco, que se centra na pureza essencial da sua música, algo simples e sem grandes alaridos e que se trata de um belo, tranquilo e simples regresso, e às vezes é meramente isso que se precisa.
Emma Ruth Rundle – Engine of Hell
Minimalista, cru e seu. A beleza deste quinto disco da artista norte-americana está na simplicidade, nas suas baladas pela qual transmite a sua música e as suas memórias, que consolam os seus traumas e a sua dor. Uma maravilhosa viagem pelo seu mundo ao longo de 8 faixas.
David e Miguel – Palavras Cruzadas
Isto é a portugalidade no seu maravilhoso esplendor. Não deve ser visto como algo de se levar demasiado a sério, e é nisso que a cultura popular portuguesa se traduz, seja nos passadiços do Paiva ou no Inatel de Albufeira. E é nisto que nesta colaboração entre David Bruno e Mike El Nite eleva na potencialidade. Uma abordagem ao amor e ao cliché, com instrumentalização saída dos anos 70 ou 80, muita foleirada assumida, mas da boa.
Public Service Broadcasting – Bright Magic
Um potente espetáculo de experimentalismo do grupo britânico, que entoa a sua capacidade sonora com elevados beats, muito inspirado pelo clubbing de Berlim (o grupo mudou-se efetivamente para a cidade durante 9 meses). O crescendo do disco e mesmo a sua pluralidade eletrónica que inspira ao ouvinte em tirar o pé do chão e dançar onde quer que esteja, da forma que quer e como quer.
Low – HEY WHAT
Mais uma vez as coisas coisas surgem da simplicidade. Seja em momentos que quase funciona só como acappella, ou com alguma distorção pelo meio e guitarra, os Low provam o quão minimalista e potente, puxando da sua veia sonora industrial, e assim puxando a emoção proveniente da ansiedade que vivemos nos últimos tempos.
Dry Cleaning – New Long Leg
Novamente dentro do espectro do post punk surgem os Dry Cleaning, com um twist de spoken word. Instrumentais catchy e uma voz cativante, mesmo a falar e na simplicidade da lírica e também a puxar do stoner rock, tudo aliado a temas atuais como a pressão social e os standards de uma pessoa perante a sociedade.
Joana Espadinha – Ninguém Nos Vai Tirar o Sol
A artista portuguesa traz consigo um conjunto de cantigas bastante catchy, numa vertente mais pop, pessoal e até irónica. Mesmo escritas antes da pandemia, acabam de certa forma por enquadrar aquilo que foi a nossa vida nestes quase dois anos. É quase como uma espécie de terapia e com alguma esperança, e todos precisamos disso certo?
E mesmo terminada esta lista, eis mais um conjunto de menções honrosas, sejam de discos que estiveram "quase lá", EPs, ou até colectâneas:
Royal Blood – TyphoonsNick Cave & Warren Ellis – CARNAGE
Jungle – Loving In Stereo
King Gizzard & Lizard Wizard – L.W.
Manic Street Preachers – The Ultra Vivid Lament
Crumb - Ice Melt
Weezer – Van Weezer
The Black Keys – Delta Kream
L'Impératrice - Tako Tsubo
Japanese Breakfast – Jubilee
Billie Eilish – Happier Than Ever
Lorde – Solar Power
The Lottery Winners – Something To Leave The House For
Atalaia Airlines – Atalaia Airlines
Tozé Brito (de) novo - Tozé Brito (de) novo
VALERAS – Tell Me Now
L'objectif – Have It Your Way
Beabadoobee – Our Extended Play
PZ – Selfie-Destruction
Bárbara Tinoco – Bárbara,
Conjunto Corona – G de Gandim
Sharon Van Etten – epic Ten
Metallica – The Metallica Blacklist
Gang of Four – The Problem With Leisure: A celebration of Andy Gill and Gang of Four
Até para o ano! Bons sonoros 🐸
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